O massacre do Rio Negro

29/11/2012 12:50

 

        Sob o comando de Zeca Tavares combatentes federalistas (Maragatos) e republicanos (Pica-paus), comandados pelo general Isidoro Fernandes se enfrentaram ferozmente durante sete dias, às margens do Rio Negro, e dos relatos sobre a carnificina que lá aconteceu no decorrer desse sangrento entrevero, em 23 de novembro de 1893, consta que trezentos soldados republicanos foram rendidos mediante garantia de vida e contidos em um cercado (mangueira de pedra) para gado, que ficou conhecido como “Potreiro das almas” friamente degolados à beira de uma lagoa lá existente, embora os historiadores reduzam esse número a trinta.
        Comenta-se que a degola do Rio Negro, foi muito mais uma desforra do comandante e fazendeiro Zeca Tavares, contra Maneco Pedroso, outro proprietário rural que antes havia invadido a propriedade do primeiro e lhe deixado um recado insultuoso.          Conta a história, que invadida a fazenda de Zeca Tavares, por Maneco Pedroso, foi deixada sobre sua cadeira uma cabeça de porco e um bilhete: “Tua cabeça será minha”.
        Argumento fortalecido pelo fato de que o próprio Maneco Pedroso e muitos dos degolados mantinham relações estreitas com este. Como não existem dados que assegure a veracidade de tal hipótese, ela deve ser encarada como mais uma das muitas versões não comprovadas sobre os fatos de guerra registrados em 1893.
        Diz à tradição que entre os degolados encontrava-se um rapaz que era tocador de clarim da sua tropa. Mesmo, depois de receber o corte no pescoço, ferido de morte ele ainda encontrou forças para correr até a lagoa levando seu instrumento musical, desaparecendo nas águas escuras que o engoliram como num passe de mágica.
        A lenda assevera que até hoje o soldado morto gosta de tocar o seu clarim nas noites de lua cheia, o que acabou dando à lagoa a fama de um lugar mágico, de onde saem notas musicais que ninguém consegue explicar, e o nome da mesma: Lagoa da Música.
        Mas a melodia continua, amedrontando quem passa desavisado pela Lagoa da Música. Desde esse dia o lugar ficou amaldiçoado.
        O povo do lugar evita passar por ali à noite, quando os espíritos dos degolados vagam, dizem que de faca na mão, procurando vingança. Mesmo quem não passe por perto é capaz de se assustar: ouvem-se gritos, berros de gente morrendo. Muitos juram que pode se ouvir o som das gargantas sendo cortadas.
        “300 prisioneros fueron encerrados em um corral de piedras de donde los sacaron uno por uno, a lazo, para desjarretarlos y degollarlos como reses” (Florêncio Sánchez).
        “Relatam os sexagenários que no mais admirável recanto daquela zona, justamente no ponto onde a natureza melhor caprichou e embelezou, teve o Rio Grande do Sul, em 1893, seu acontecimento mais trágico...”.
        “Lagoa da Música, em que há um instante em que cessa a barulhada do mato e a própria correnteza das águas modera até silenciar por completo. Em que repentinamente, um atento e religioso respeito se apossa de tudo o que estava em rebuliço, algazarra. É quando chegando às dezesseis horas, vai se realizando o encantamento daquelas águas”.
        “Então, lá do fundo de certo trecho da lagoa vem um som harmonioso que pouco a pouco vai aumentando de intensidade, até que, aflorando à tona, estruge forte e enérgico, deixando atônitos os que não estão acostumados com ele. Mas os dali sabem que é o encantamento produzido pelo sangue de trezentos e muitos gaúchos degolados, com seus corpos atirados na lagoa, que está se realizando”.
        “Os incrédulos dizem que os sons harmoniosos nada mais são que fenômenos da acústica. Querem explicar que no leito da lagoa, por ser lugar de carvão, deram-se escavações formando galerias subterrâneas que vão se ligar com outras já meio soterradas, existentes em terra firme, e que o ar vindo destas, ao atravessar as águas, produz como uma música de flauta gigantesca”.
         “Os incrédulos, homens que lêem livros complicados e enredadores, ignoram por certo que a água das lagoas e dos rios, na campanha, guarda consigo o espírito dos gaúchos valentes e sinceros que são pela liberdade de seu povo...”. (Pedro Wayne)
 
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