Saudades da Hulha...

10/12/2012 08:11

Saudades da Hulha...
Não é a que conheci,
Hulha Negra do meu pai,
Dos cardeais e nhandubais*,
De meus tempos de guri,
Quanta coisa tinha ali,


Brincadeiras de criança,
O cinamomo com balança,
Férias, não tinha escola,
As tardes jogando bola
A prima, com suas tranças...

O Rio Negro e a cachoeira,
Onde nadavam meninos,
A petiça do Sabino,
Ganhando muita carreira.
A degola na mangueira.
Bem no lado d’um capão,
Onde a faca do Nêgo Adão,
Nos pescoços resvalava
E a gente se desviava,
Com medo de assombração...

Já não tem mais estação,
Onde se aguardava o trem,
Na espera de alguém,
Ou na despedida, então,
De quem parte... Coração.
Um beijo, um aceno.
Serenata, lua, sereno,
Um leve toque de mão,
O namoro no portão.
Saudade... Doce veneno.

A vila agora é cidade,
Hoje, são outros tempos,
Olho pra trás e contemplo,
Tempos de felicidade,
Por isso a saudade,
Cravando que nem agulha
Queimando feito fagulha,
Trazendo pra goela um nó,
Ao lembrar pais e avós
E a antiga vila da Hulha...

* Nhandubai – nome indígena para a sina-sina 
 
 
Poesia de Diogo Correa
 
 
 
 
 
 
 

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